Vale quanto menos pesa

Arte: Rice Araujo Arte: Rice Araujo

Adjetivo é que nem colesterol. Há o bom e o ruim. Adjetivo e colesterol precisam ser mantidos sob controle.  No caso do adjetivo, trata-se de observar a sua função.

Adjetivo bom é aquele que especifica o substantivo, tornando-o mais específico:
Necessito de
professores preparados.
Responda ao teste com
lápis preto.
É melhor usarmos uma
mesa redonda.
Texto
sucinto comunica melhor do que o prolixo
Nesses exemplos, os adjetivos funcionam para delimitar: não basta ser professor, é preciso estar preparado. É vedado responder ao teste com lápis colorido ou caneta. Não serve mesa quadrada. Sucinto exclui o prolixo.

No dia a dia a falta de adjetivação causa contratempos. Se eu na papelaria peço papel sem adjetivar, o vendedor não saberá como me atender. Pois o papel pode ser
couché ou couché opaco,
branco ou amarelo,
fino ou grosso.

Já adjetivo ruim é aquele que é adorno:
O diretor comprou
rosas perfumadas.
O mestre faleceu em
trágico acidente.
Esmiuçando:
Rosas são sempre perfumadas.
Morrer em um acidente é trágico.

É também ruim a adjetivação abrangente:
A
avaliação dos participantes foi maravilhosa.
Vi um filme interessante.

Pois maravilhosa e interessante são qualificações genéricas e subjetivas. Uma praia, uma pessoa, um almoço, um final de tarde também podem ser maravilhosos e interessantes.

Moral da postagem:
Parcimônia com o uso dos adjetivos.
Preferência aos que ajudam o substantivo.
Cuidado com os adjetivos de efeito.
No mercado da língua: substantivo é ouro, adjetivo é bijuteria.

Postado originalmente no Fernanda Pompeu Digital


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